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quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Assassinato de Alice

Sobre como Tim Burton esquartejou a clássica história da garotinha sonhadora que queria ir para casa





AVISO: CONTÉM SPOILERS!!!


Assisti ontem ao mais novo sucesso de bilheteria do momento: Alice no País das Maravilhas. E devo dizer que não foi o que imaginava. Particularmente adoro Tim Burton, mas achei que este longa deixou, e muito, a desejar.

Eu li os livros (Alice no País das Maravilhas e Alice através dos Espelhos) e assisti ao primeiro filme que fizeram, sem contar o desenho da Disney, claro. Sim, eu adoro Alice! *-*

Enfim, esperei mto para ver este filme e sai do cinema desapontada. Esperava mto mais de Burton, d verdade. Achei que ele apagou mtos personagens, como a Lagarta, por exemplo, que foi minha maior decepção, e deu ênfase a uma história nada a ver com a história de Carroll. Ao invés da psicodelia do País das Maravilhas, ele preferiu a aventura estilo Nárnia. WTF?

Uma coisa que eu (repito, EU) senti falta foi dos musicais. Como assim ele excluiu os musicais? Cade “Feliz Desaniversário”? Alice é um tipo de filme que pede um musical. Até porque, eram os musicais que davam teor a insanidade daquele lugar.

E a cena do chá? So boring! Não foi exposto um encontro de loucos tomando chá, foi no máximo um chá atrapalhado. E o Cheshire Cat? Quando ele deixou de ser louco para ver arrogante e “espertinho”? A Alice do filme tbm não é nada parecida com a Alice do desenho ou do livro. Aliás, nada foi parecido com o desenho ou com o livro. Foi na verdade uma “continuação” deles, onde a personagem já crescida retornou ao País das Maravilhas. Não foi isso que esperávamos (ou eu esperava) ver.

E outra coisa: Alice Executiva??? WTF? [2] Sério, que palhaçada foi aquela? Alice é uma personagem sonhadora e que vive no mundo da lua, como diabos ela foi se transformar em executiva??? Não, não foi legal.

A minha sensação é que Tim Burton acabou com a essência da história e inventou mta moda na hora de fazer esse filme. Achei a fotografia do filme, o figurino e a seleção de atores excelentes, mas o roteiro foi bem fraco.


Clarisse Simão

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Haiti é aqui

Os terremotos que ocorreram no Haiti nos últimos dias impressionaram boa parte do mundo e mobilizou populações inteiras a ajudar o país devastado. Dinheiro, comida, remédios, soldados...tudo foi enviado à Porto Príncipe a fim de amenizar o caos da situação que se instalou por lá.

Uma atitude admirável, se não fosse por um detalhe que, ao que parece, foi esquecido pelos brasileiros e pela mídia nacional: O Brasil também sofre com catástrofes naturais. Hoje, não se ouve mais falar sobre o desastre em Angra dos Reis na virada do ano e muito menos como a cidade está devastada desde então. Aqui, também sofrem com doenças, desalojamento e perdas de entes queridos, sem contar a perda material.

Ok, ok, sejamos ponderados: não houve em Angra, mais de 200 mil mortes como no país caribenho. Se não me engano, o total de mortes na cidade carioca foi de 52. Mas, a meu ver – e veja bem, esta é uma opinião pessoal – o Brasil deveria priorizar as tragédias nacionais e, uma vez solucionadas (ou ao menos, caminhando para a estabilização), prestar socorro aos outros países.

Não sou contra a ajuda do Brasil ao Haiti, que fique bem claro. Como disse no início do texto, é uma ação admirável. Só não acho que por isso, o país deva se esquecer dos próprios problemas. Solidariedade e compaixão não são medidas em balança, logo, independentemente do número de mortos, toda ajuda é bem-vinda, seja ela muita ou pouca. O que não pode acontecer, é dar preferência a uma e esquecer-se do próprio povo.

Clarisse Simão

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Volta do Dinheiro na Cueca

Quando pensávamos que colocar dinheiro na cueca havia saído de moda, o governador José Roberto Arruda, relança a tendência nas passarelas da capital nacional


Brasília, 2005 – Descoberto o “Mensalão”: parlamentares recebiam propina em troca de votos. Em meio às investigações, imagens de políticos escondendo dólares em malas e cuecas permeavam nas telas de TVs nas casas dos cidadãos brasileiros. O dinheiro era escondido em maletas e cuecas dos próprios parlamentares.


Brasília, 2009 – O Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), é filmado pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, com uma câmera escondida. Nos vídeos, aparece o próprio governador recebendo o dinheiro e outros deputados envolvidos, um deles enfia as notas na cueca. Ver vídeo

Quando pensávamos que dinheiro na cueca, ou outros orifícios, haviam saído de moda, o governador do DF nos esbofeteia com um maço de notas 100. E como se não bastasse, nos chama de otários ao justificar que o dinheiro era para a compra de panetones de natal. Panetone caro, hein...

Ok, ok, vamos considerar que até poderia ser panetone. Então, eu tenho duas perguntas:

1) Por que o dinheiro para a compra das cestas de natal teria sido entrega em espécie? Nunca ouvi falar de órgão público que faz transações em dinheiro vivo...
2) E se estava tudo dentro dos conformes, por que esconder nos bolsos do terno, nas meias e na cueca?

Nada que os políticos possam falar irá ser forte o bastante para contradizer às imagens que assistimos. A não ser , é claro, que seja algo como: “a pessoa que aparece no filme é meu irmão gêmeo mau”, aí sim! Afinal, depois do panetone, eu não duvido de mais nada.

E antes que pensem que Barbosa é o herói da nação por denunciar o esquema, informo-lhes senhores, que não foi por honra, dignidade, princípios ou altruísmo. O ex-secretário também estava envolvido na maracutáia e para diminuir sua pena, ele implantou a câmera no gabinete e filmou todos os pagamentos feitos.

E mais: Arruda sabia da existência da câmera e disse que se um dia Durval resolvesse levar as imagens à mídia, que este deveria avisá-lo com no MÍNIMO (!!!) 5 dias de antecedência para que pudesse a) dar um tiro na cabeça, b) sumir ou c) matar Barbosa. Só faltou pedir para assinar em 3 guias, com 3 fotos 3x4 recentes, cópia de comprovante de residência, comprovante de renda, identidade, CPF ou Certificado de Dispensa Militar.

É difícil crer que a história se repete 4 anos depois e praticamente no mesmo período. O brasileiro sofre de amnésia recente. Parece não conseguir registrar eventos novos por muito tempo. Se não for amnésia, é demência com certeza. Prova disso foi o Collor, que é o Collor, ter sido reeleito.

Há alguns anos atrás, se não me engano oito, este mesmo governante, na época senador, havia sido indiciado por outro caso de desvio de verba pública: Operação Caixa de Pandora. Em seu discurso de defesa, Arruda mostrou-se ofendido e proferiu palavras emocionantes, clamando o nome de seus filhos e esposa como prova de sua inocência. Quatro dias após, porém, o senador volta atrás e assume sua culpa. Hoje ele está no comando do Distrito Federal.

Ano que vem é ano eleitoral, as campanhas (oficiais) começarão e logo ninguém mais vai lembrar deste ou de outros escândalos que surgiram ao longo desses anos.

É indignante ver casos como esses tornam a acontecer. Faz um burburinho aqui, outro ali, e no final, nada acontece. Aliás, no final, tudo acaba em pizza e os parlamentares ainda dançam em comemoração à impunidade. Ver vídeo

Por fim, deixo-os com as palavras de Arnaldo Jabor. Ver vídeo



Clarisse Simão

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O cerco está se fechando

Um assunto super atual e polêmico é a nova lei que proíbe fumar em lugares públicos, como bares, escolas, casas noturnas, shoppings centers e tantos outros. O tema gera controvérsias de fumantes e não-fumantes. Assim, como qualquer outro tema, há quem defenda e quem seja contra. A Lei Anti-fumo - como é popularmente conhecida - já foi aprovada em diversas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e agora em Belo Horizonte. Na capital minera, a lei ainda não entrou em vigor, mas está caminhando para isso.

Em linhas gerais, o cerco está cada vez mais apertado para os fumantes. Locais restritos, preços altos e desrespeito àqueles que optaram por um hábito, mesmo que não seja dos melhores.

Particularmente, tenho duas opiniões sobre o assunto: Como fumante e como cidadã. A primeira, obviamente, não me agrada a idéia de pagar R$ 4 ,25 por cada maço de cigarro - cerca de 3 por semana - e ainda ter que escutar que é o governo que paga as despesas de saúde para os fumantes. A segunda, como cidadã, acho certo haver limites sim. Afinal, a opção de fumar, foi minha e as outras pessoas não são obrigadas a se sujeitarem a isso.

No entanto, ambas as opiniões se fundem quando o caso chega um patamar elevando, onde apenas os não-fumantes são privilegiados. Ok, fumar não é legal. Já entendemos essa parte. Sempre criam leis para proteger quem não fuma dos males que a fumaça tóxica do tabaco de quem fuma exala. E quando vão criar leis para os fumantes? Com essa nova medida, nem área de fumantes em locais fechados será permitido, a não ser que haja uma parede impedindo a fumaça de entrar em contato com os outros clientes. Então é: ou para ou fica em casa? Por que, na teoria, pode funcionar muito bem a idéia dos fumantes terem que se deslocar à X metros de distância do estabelecimento para que não haja risco de inalação da fumaça, mas na prática, procuraremos lugares que sejam confortávelmente propícios para nós e que nos façam sentir bem-vindos, ou seja, atualmente nenhum.

Conforto. Esse é o X da questão. Ninguém quer entrar num bar, por exemplo, para relaxar e ter mais dor de cabeça do que teria se ficasse em casa fazendo o que bem entender. Só queremos ser respeitados como consumidores. Não pode fumar em locais fechados. Fine by me! Mas dêem a opção de poder ir à um lugar para se divertir e fumar confortavelmente.

Qual será o próximo ataque aos fumantes? Campos de concentração?

By the way, se nada der certo na minha vida, vou montar um bar só para fumantes. Não-fumantes não permitidos, e se forem, terão que conviver no ambiente sem direito a reclamações.




Clarisse Simão.